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Este site tem vem divulgar o Serviço de Consultoria Especializada no estudo de imagens de Ressonância Magnética (RM) do cérebro, em pacientes com Epilepsias. Visa atender também à outras condições (Demências entre outras). Por ora, faz-se necessário uma breve introdução, esclarecendo nossa abordagem. As demais condições serão detalhadas em um futuro próximo.
Introdução: Uma Breve História
Em 1880, o patologista alemão Wilhelm Sommer descreveu perda neuronal no hipocampo de pacientes com epilepsia temporal. Este achado foi identificado principalmente na região CA1 (Corno de Ammon), sugerindo um ambiente celular de alta vulnerabilidade à hipóxia e excitotoxicidade.
Em seguida, Horsley iniciou as primeiras cirurgias para tratamento das epilepsias, que ganharam impulso entre as décadas de 1930 e 1950 através dos trabalhos de Penfield e Jasper, no Montreal Neurological Institute. A localização do foco epileptogênico baseava-se inteiramente na semiologia clínica, Eletroencefalografia (EEG), e durante o ato cirúrgico, na Eletrocorticografia (ECoG) e estimulação cortical direta.
Realizando estudos de autópsia em pacientes epilépticos institucionalizados, Taylor publicou o artigo “Focal dysplasia of the cerebral cortex in epilepsy” em 1970, descrevendo a Displasia Cortical Focal (DCF – FCD). Taylor encontrou alterações na arquitetura do córtex, associada à elementos celulares de morfologia atípica (destacando as “ballon cells). Desde então, a FCD passou a ser considerada uma das etiologias mais prováveis dentre as principais causas de epilepsia refratária. Até então, o tecido cerebral permanecia como única estrutura opaca às técnicas radiológicas, e as displasias eram demonstradas “in vivo”, durante a ressecção cirúrgica, ou em estudos de autópsia.
Abrindo a “Caixa Preta”
Enquanto o Rock and Roll florescia no final dos anos 60, em 1970, a EMI, uma conhecida empresa voltada para o cenário musical, investiu no desenvolvimento da tecnologia que culminou com o surgimento da Tomografia Assistida por Computador (CAT-Scan). Ao som de “let it be”, abriu-se a primeira janela radiológica a permitir a visualização direta do tecido cerebral. A sua introdução representou um marco na Neurociência, e na prática clínica neurológica. As imagens fornecidas pela CT ainda eram muito rudimentares para detectar anormalidades mais discretas no cérebro de pacientes com pequenas lesões. Não obstante, sua introdução representou um grande avanço no campo das epilepsias, aumentando consideravelmente o escopo diagnóstico “in vivo”.

Nos anos 1980, a anatomia cerebral começou a ser visualizada com mais clareza através da Ressonância Magnética (RM). Utilizando a elevada quantidade de moléculas de água no organismo, e suas propriedades magnéticas, a detecção dos substratos patológicos determinantes das Epilepsias deram início a estudos de correlação clínico-patológica mais robustos. Confirmou-se o papel significativo das MCDs na gênese das crises, com o reconhecimento da elevada epileptogenicidade intrínseca das displasias corticais focais. Iniciaram-se os primeiros trabalhos com o intuito de classificar e correlacionar as malformações do desenvolvimento cortical (MCD) 4.

Apesar do grande avanço, o equipamento disponível na época apresentava resolução e contraste restritos, dificultando o delineamento anatômico das estruturas cerebrais, particularmente amígdalas e hipocampos, limitando portanto a avaliação quantitativa dos hipocampos. O efeito de volume parcial determinado pelos cortes espessos encobriam as lesões displásicas menores, enquanto o alinhamento da superfície de corte em relação ao plano do córtex gerava dúvidas quanto à presença de lesão x artefato.
RM de Alta Resolução: “the Building Blocks”

Não tardou para que nos anos subsequentes, um upgrade expressivo viesse revolucionar o campo da Neuroimagem Estrutural, através de um implemento tecnológico que permitia a aquisição de imagens em alta resolução, “High-Resolution MRI”. Estas aquisições possuíam voxels isotrópicos (dimensões iguais nos 3 planos = 1x1x1 mm3 ) de dimensões reduzidas, relação sinal/ruído optimizadas, resultando em contraste elevado, determinando contraste elevado, permitiram a padronização da volumetria hipocampal 5, quantificando com alta sensibilidade a atrofia mesial temporal in vivo, com repercussão direta na abordagem da Epilepsia do Lobo Temporal (ELT).
Visando eliminar o efeito de volume parcial e alinhamento planar da superfície de corte em relação ao córtex, o Dr. Barkovich (San Diego) em colaboração com o Dr. F. Andermann realizou a inspeção visual individual de cada giro hemisférico nas imagens de alta resolução, de modo simultâneo e interativo, utilizando a recém disponibilizada ferramenta de reconstrução multiplanar (MPR). Esta avaliação proporcionou o diagnóstico de lesões displásicas em pacientes com epilepsias focais, cujos exames prévios foram considerados normais 6.

Dando ensejo à espectativa do Dr. F. Anderman de reproduzir estes resultados no MNI, este autor desenvolveu a reconstrução curvilinear, uma abordagem que minimiza o efeito de volume parcial e do alinhamento equiplanar da superfície de corte em relação ao córtex. A reconstrução curvilinear preserva a simetria dos cortes e a morfologia tridimensional do cérebro, proporcionando um “display” anatômico mais intuitivo, facilitando a identificação da anatomia normal, variações, e alterações estruturais patológicas 7,8.

