Parâmetros Avaliados – Núcleos da Base, Tronco Cerebral e Cerebelo

Atualmente, o protocolo para a aquisição do volume dos núcleos da base, tronco cerebral e cerebelo não atende aos propósitos de diagnóstico específico, classificação ou estagiamento das doenças que alteram a morfologia destas estruturas. Entretanto, estas informações estarão disponíveis em futuro breve.

No momento, o volume dos núcleos da base é obtido em conjunto, sem distinção dos seus diferentes componentes, enquanto a mensuração do tronco cerebral é realizada levando-se em consideração os limites anatômicos dos seus 3 segmentos. O cerebelo por ora, está sendo avaliado de modo simplificado, através da mensuração dos hemisférios cerebelares.

A mensuração dos núcleos da base, tronco cerebral e cerebelo, tem por finalidade identificar correlatos estruturais objetivos das doenças degenerativas que afetam principalmente movimento, coordenação, cognição e regulação do sistema simpático/parassimpático. Sua principal utilidade está no diagnóstico diferencial das síndromes Parkinsonianas.

Por exemplo, tanto a Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS) quanto a Doença de Parkinson podem começar com sintomas parkinsonianos, mas seus padrões de atrofia infratentorial são drasticamente diferentes. A volumetria permite capturar essa diferença, desafiando a dependência exclusiva da clínica em casos ambíguos.

Condições neurológicas degenerativas passíveis de diagnóstico e classificação:

Condições neurológicas degenerativas passíveis de diagnóstico e classificação:

  • Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS-P): atrofia do putâmen, especialmente porção posterior. Também pode apresentar atrofia da ponte e dos pedúnculos cerebelares médios. A medição do volume pontino é um dado valioso para diferenciar a AMS-P da Doença de Parkinson.
  • AMS tipo cerebelar (AMS-C): Causa uma atrofia pronunciada do cerebelo e da ponte. A quantificação dessa perda de volume é um forte biomarcador para a doença.
  • Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP): atrofia do tálamo e globo pálido.A PSP clássica (síndrome de Richardson) é caracterizada por uma atrofia acentuada do mesencéfalo, levando ao famoso “sinal do beija-flor” (hummingbird sign) na visão sagital. A medição do volume do mesencéfalo e da razão entre o volume da ponte e do mesencéfalo são ferramentas quantitativas bastante úteis para diagnosticar a PSP.
  • Degeneração Corticobasal (DCB): Atrofia cortical assimétrica, mas também pode envolver o tálamo e o putâmen contralateral ao lado mais afetado clinicamente.
  • Diagnóstico de Ataxias Hereditárias e Esporádicas: Muitas ataxias espinocerebelares (SCAs) e outras ataxias genéticas têm padrões característicos de atrofia. Algumas afetam predominantemente o córtex cerebelar (as “folhas”), enquanto outras afetam mais a substância branca ou o tronco cerebral. A volumetria ajuda a caracterizar o “fenótipo” de imagem da ataxia, o que pode guiar o teste genético.
  • Diagnóstico e Monitoramento da Doença de Huntington: atrofia profunda e precoce do núcleo caudado. Medir o volume do caudado é uma forma objetiva de confirmar o diagnóstico e acompanhar a progressão da doença.
  • Correlação com Sintomas Não-Motores: Como esses núcleos estão envolvidos em circuitos cognitivos e límbicos, a atrofia em sub-regiões específicas (ex: cabeça do caudado) pode ser correlacionada com sintomas como disfunção executiva, apatia ou comportamentos obsessivo-compulsivos, fornecendo uma ponte entre a estrutura e a função neuropsiquiátrica.
  • Avaliação da Reserva Cerebral e Conectividade: O cerebelo está cada vez mais implicado em funções cognitivas e afetivas, através de seus circuitos com o córtex pré-frontal e límbico (a “Síndrome Cognitivo-Afetiva Cerebelar”). A atrofia cerebelar pode, portanto, ser correlacionada com déficits não-motores em diversas doenças, desde esquizofrenia até demências.