A Reformatação Multiplanar (MPR) é uma ferramenta de avaliação visual que proporciona a análise da imagem adquirida no modo de alta resolução (voxels isotrópicos com dimensões igual ou inferior a 1 mm3). Esta análise é feita nos planos ortogonais e oblíquos, permitindo a inspeção meticulosa da anatomia cerebral de modo interativo em diferentes planos, de modo simultâneo. O estudo pioneiro de Barkovich e Andermann (1), demonstrou aumento significativo na detecção de lesões em pacientes com epilepsia, cuja avaliação inicial foram consideradas normais. A MPR reduz drasticamente a ocorrência de dois tipos de artefatos que podem confundir a análise visual: o efeito de volume parcial secundário à aquisição com cortes espessos, e a ilusão de espessamento cortical determinada pelo alinhamento equiplanar do córtex em relação ao plano de corte.

O efeito de volume parcial é um fenômeno que ocorre em exames de imagem quando estruturas anatômicas com características e sinais diferentes (como a substância cinzenta, a substância branca e o líquor) são englobadas dentro de um único voxel (o “pixel tridimensional”) ou de um corte espesso. Como o sistema de imagem calcula uma média matemática dos sinais de tudo o que está contido naquela espessura de corte para gerar o tom de cinza final na tela, os limites precisos entre os tecidos desaparecem. Em vez de ver uma transição nítida, o médico vê uma área de sinal intermediário e borrado

O efeito de volume parcial por alinhamento equiplanar ocorre quando a orientação anatômica de um giro cerebral (ou de uma porção do córtex) se dispõe de forma paralela ou tangencial ao plano do corte de imagem adquirido Na imagem final, essa sobreposição planar faz com que o córtex aparente um espessamento falso ou artificialmente exagerado, além de perder a nitidez de suas margens. Na prática clínica (como na investigação de epilepsias), esse artefato é perigoso porque pode simular patologias focais — como uma displasia cortical com espessamento anormal — ou, inversamente, mascarar lesões reais, exigindo o uso de reformações multiplanares (MPR) com volumes isotrópicos finos para desfazer a ambiguidade anatômica.

